Resposta ao apóstolo da teologia de boteco, o conhecido cessacionista patético brasileiro. Método: Não vislumbro outro modo de expor uma posição e oferecer-lhe a devida resposta senão nos moldes de nossa ilustre tradição, a qual sempre soube lidar com disputas teológicas contra os mais diversos opositores e detratores. A diferença é que, outrora, a grandeza e a destreza das objeções eram ricas em significado lógico e teológico, riqueza esta que tanto carece em muitos que hoje levantam questões polêmicas e respondem de si mesmo sem amparo em piedade alguma transmitida no passado. Seguirei a seguinte ordem: (1) exporei as objeções de meu oponente ( videtur quod ); (2) em seguida, apresentarei uma breve contradita, que servirá de base para minha resposta ( sed contra ); (3) por fim, concluirei respondendo às três objeções possíveis. O uso da cobertura por parte da mulher cessou? Parece que sim, Pois o Apóstolo diz: “ Toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a s...
LOCI COMMUNES, cap. XXVII, De reprobatione A reprovação é o decreto eterno de Deus, pelo qual, desde a eternidade, segundo o seu puríssimo beneplácito, Deus determinou permitir que certos indivíduos, que lhe eram possíveis de serem criados, caíssem em pecado, permanecessem nesse estado de queda e fossem eternamente condenados. O objeto da reprovação, sob a perspectiva do seu fim, conforme está na intenção divina, é o homo creabilis , passível de queda. Demonstro isso com as seguintes razões: I. Deus permitiu o pecado com um propósito definido. Portanto, antes que o homem pecasse, ele já estava ordenado a um fim, ao qual se chega por meio do pecado. Ora, pelo pecado, chega-se (a menos que Deus nos liberte por meio de Cristo) à morte eterna. Logo, a morte eterna será o fim da reprovação. Assim, alguns homens foram ordenados à morte eterna antes mesmo do pecado. Inversamente, se foram ordenados, então foram considerados ou como já criados ou como possíveis de serem criados. Não ante...