Uma defesa do cântico exclusivo dos salmos
O canto dos Salmos, embora nada exale senão santa harmonia e
melodia, contudo tal é a sutileza do inimigo e a inimizade de nossa natureza
contra o Senhor e os seus caminhos, que os nossos corações podem encontrar
matéria de discórdia nesta harmonia e notas de divisão nesta santa melodia.
Pois têm surgido especialmente três questões concernentes ao canto. Primeira:
quais salmos devem ser cantados nas igrejas? Se os Salmos de Davi e outros
salmos da Escritura, ou os salmos compostos pelos dons de homens piedosos em
cada época da Igreja. Segunda: se forem os salmos da Escritura, se devem ser
cantados em suas próprias palavras, ou em tal métrica como a poesia inglesa
costuma empregar. Terceira: por quem devem ser cantados? Se por toda a Igreja
conjuntamente com as suas vozes, ou por um só homem cantando sozinho, enquanto
todos os demais se unem em silêncio e, ao final, dizem amen. Quanto à primeira,
certamente o canto dos Salmos de Davi foi um culto aceitável a Deus, não
somente em seu próprio tempo, mas também nas épocas subsequentes: no tempo de
Salomão (2Cr 5:13); no tempo de Josafá (2Cr 20:20-21); no tempo de Esdras (Ed
3:10-11); e o texto é evidente que, no tempo de Ezequias, foi ordenado que se
cantassem louvores com as palavras de Davi e de Asafe (2Cr 29:30). Esse último
texto pode servir para resolver de uma só vez duas das questões (a primeira e a
última). Pois esse mandamento era cerimonial ou moral? Algumas coisas nele
eram, de fato, cerimoniais, como os seus instrumentos musicais, etc.; porém,
que cerimônia havia em cantar louvores com as palavras de Davi e de Asafe? Que
importa se Davi era um tipo de Cristo? Era também Asafe um tipo? Era tudo em
Davi típico? São as suas palavras — que possuem autoridade moral, universal e
perpétua em todas as nações e em todas as épocas — palavras típicas? Que tipo
se pode imaginar no uso de seus cânticos para louvar ao Senhor? Se eram típicas
porque a cerimônia dos instrumentos musicais lhes estava associada, então
também as suas orações eram típicas, porque tinham misturada a elas a cerimônia
do incenso. Mas sabemos que a oração já então era um dever moral, não obstante
o incenso; e assim também o canto daqueles Salmos, não obstante os seus
instrumentos musicais. Além disso, aquilo que era típico (como o fato de serem cantados
com instrumentos musicais pelos vinte e quatro turnos dos sacerdotes e levitas,
1Cr 25:9) deve possuir o seu cumprimento moral e espiritual no Novo Testamento,
principalmente em todas as Igrejas dos santos, que foram feitos reis e
sacerdotes (Ap 1:6) e são as primícias para Deus (Ap 14:4), assim como os
levitas o eram (Nm 3:45), para louvar ao Senhor com corações e lábios em lugar
dos instrumentos musicais; os quais são representados (como alguns
judiciosamente entendem) em Ap 4:4 pelos vinte e quatro anciãos, na infância da
Igreja (Gl 4:1-3), correspondendo aos vinte e quatro turnos dos sacerdotes e
levitas (1Cr 25:5). Portanto, não alguns membros escolhidos, mas toda a Igreja
é ordenada a ensinar uns aos outros em todas as diversas espécies dos Salmos de
Davi, sendo alguns chamados pelo próprio autor de mizmor (מִזְמוֹר), Salmos; outros de
tehillah (תְּהִלָּה), Hinos; outros de shir (שִׁיר), Cânticos
espirituais. De modo que, se o canto dos Salmos de Davi é um dever moral e,
portanto, perpétuo, então nós, sob o Novo Testamento, estamos obrigados a
cantá-los tanto quanto eles o estavam sob o Antigo. E se nos é expressamente
ordenado cantar Salmos, Hinos e Cânticos espirituais, então ou devemos cantar
os Salmos de Davi, ou alguém deverá afirmar que eles não são cânticos
espirituais; os quais, tendo sido compostos por um dom extraordinário do
Espírito, especialmente em benefício do Israel espiritual de Deus, não somente
para serem lidos e pregados (como as demais partes da Sagrada Escritura), mas
também para serem cantados, são, portanto, os mais espirituais de todos, e
ainda devem ser cantados por todo o Israel de Deus.
E, na verdade, assim como é excessivamente grande o pecado
daqueles que permitem que os Salmos de Davi (como as demais Escrituras) sejam
lidos nas igrejas (o que é um de seus fins), mas não também pregados (que é
outro de seus fins), assim também clamam diante de Deus em pecado aqueles que
consentem que eles sejam lidos e pregados, mas procuram privar o Senhor da
glória do terceiro fim deles, que é cantá-los nas igrejas cristãs.
Objeção 1. Se se disser que os santos na Igreja primitiva
costumavam compor cânticos espirituais de sua própria invenção e cantá-los
diante da Igreja (1Co 14:15-16). Resp. Respondemos, em primeiro lugar, que
aqueles santos compunham esses cânticos espirituais pelos dons extraordinários
do Espírito, pelos quais eram capacitados a louvar ao Senhor em línguas
estranhas, nas quais, segundo demonstra o erudito Pareus em seu comentário
sobre essa passagem (1Co 14), esses salmos eram proferidos. Se esses dons extraordinários
ainda permanecessem nas Igrejas, conceder-lhes-íamos agora a mesma liberdade.
Em segundo lugar, ainda que se suponha que aqueles salmos
fossem cantados por um dom ordinário (o que supomos não poder ser demonstrado),
segue-se, por isso, que eles não cantavam, e que nós não devemos cantar, os
Salmos de Davi? Devem os dons ordinários de um homem particular extinguir o
Espírito, que ainda nos fala pelos dons extraordinários de seu servo Davi? Não
existe o menor vestígio de exemplo, ou de preceito, ou mesmo de aparência de
razão para uma prática tão ousada.
Objeção 2. Aos ministros é permitido oferecer orações
concebidas por eles mesmos; por que, então, não lhes seria permitido cantar
salmos igualmente concebidos por eles? Não devemos cantar no Espírito, assim
como orar no Espírito? Resp. Em primeiro lugar, porque nem todo bom ministro
possui o dom da poesia espiritual para compor salmos extempore, como possui o
dom da oração.
Em segundo lugar, supondo que o tivesse, contudo, visto que
os salmos devem ser cantados pelo consentimento conjunto e pela harmonia de
toda a Igreja, em coração e voz (como demonstraremos), isso não pode ser
realizado, a menos que aquele que compõe um salmo introduza na Igreja formas
fixas de salmos de sua própria invenção; para o que não encontramos nem
autorização nem precedente em quaisquer oficiais ordinários da Igreja em toda a
Escritura.
Em terceiro lugar, porque o Livro dos Salmos é um sistema de
salmos tão completo, que o próprio Espírito Santo, em sua infinita sabedoria, o
fez adequar-se a todas as condições, necessidades, tentações, afeições, etc.,
dos homens em todas as épocas (como a maior parte de nossos intérpretes dos
Salmos demonstrou plena e particularmente). Portanto, por esse meio, o Senhor
parece fechar ordinariamente a boca e a mente de todos os homens para comporem
ou cantarem quaisquer outros salmos (sob o pretexto de que as ocasiões e as
condições da Igreja são agora diferentes, etc.) para o uso público da Igreja.
Pois, seja qual for a nossa condição, o próprio Senhor nos supriu com algo
muito melhor.
E, por isso, no tempo de Ezequias, embora sem dúvida
houvesse entre eles aqueles que possuíam dons extraordinários para compor novos
cânticos para aquelas novas ocasiões, como Isaías, Miqueias, etc., contudo
lemos que lhes foi ordenado cantar com as palavras de Davi e de Asafe, as quais
deveriam ser ordinariamente utilizadas no culto público de Deus.
E não duvidamos de que aqueles que são sábios facilmente
perceberão que essas formas fixas de salmos, estabelecidas pelo próprio Deus, e
não provenientes de um dom concebido pelo homem nem de imposição humana, eram
cantadas no Espírito por aqueles santos levitas, do mesmo modo que as suas
orações o eram no Espírito, embora estas fossem por eles mesmos concebidas, não
os vinculando então o Senhor, quanto às orações, a quaisquer formas fixas. E,
porventura, essas formas fixas de salmos, designadas por Deus, não haverão de
ser cantadas no Espírito agora, assim como o foram então por eles?
Questão. Mas por que não pode um só compor um salmo e
cantá-lo sozinho em alta voz, enquanto os demais se unem a ele em silêncio e,
ao final, dizem amém? Resp. Ainda que tal prática fosse encontrada na Igreja de
Corinto, quando alguém possuía um salmo sugerido por um dom extraordinário,
contudo, no canto dos salmos ordinários, toda a Igreja deve unir-se
conjuntamente, em coração e voz, para louvar ao Senhor. Pois:
Primeiramente, os Salmos de Davi, como já foi demonstrado,
eram cantados conjuntamente, em coração e voz, pelos vinte e quatro turnos dos
músicos do Templo, os quais prefiguravam os vinte e quatro anciãos, e,
especialmente, todos os membros das igrejas cristãs (Ap 5:9-10), que foram
feitos reis e sacerdotes para Deus, a fim de louvá-lo como eles o faziam. Pois,
se devesse haver alguma outra ordem de cantores, distinta do corpo do povo,
para suceder àqueles, sem dúvida o Senhor teria dado, no Evangelho, instruções
quanto às suas qualificações, eleição, sustento, etc., assim como fez para os
músicos do Templo, e assim como a sua fidelidade o fez para todos os demais
oficiais da Igreja no Novo Testamento.
Em segundo lugar, além dos levitas (os principais cantores),
também outros membros da Igreja judaica cantavam os cânticos do Senhor. Pois,
de outro modo, por que lhes seria ordenado tão frequentemente cantar, como em
Sl 100; 95:1-3; Sl 102 (título e v. 12); e em Êx 15:1? Não somente Moisés, mas
todo o Israel cantou aquele cântico; eles falaram, dizendo (como consta no
original), todos, tanto quanto Moisés; e também as mulheres, tanto quanto os
homens (Êx 15:20-21). O mesmo ocorre em Dt 32, ao qual alguns entendem que João
faz referência, assim como a Êx 15:1, quando apresenta as igrejas protestantes
obtendo a vitória sobre a Besta, com harpas em suas mãos e cantando o cântico
de Moisés (Ap 15:3). Esse cântico de Moisés foi ordenado não somente para ser posto
em seus corações, mas também em suas bocas (Dt 31:19), o que demonstra que
deviam cantá-lo conjuntamente com suas bocas, assim como com seus corações.
Em terceiro lugar, Isaías profetiza que, nos dias do Novo
Testamento, os vigias de Deus e as almas perdidas e desoladas (representadas
pelos lugares assolados) levantariam juntamente as suas vozes em cântico (Is
52:8-9); e, em Ap 7:9-10, o cântico do Cordeiro é entoado conjuntamente por
muitos. Além disso, o Apóstolo ordena expressamente o canto de Salmos, Hinos e
Cânticos espirituais, não a alguns cristãos selecionados, mas à Igreja inteira
(Ef 5:19; Cl 3:16). Paulo e Silas cantaram juntos em particular (At 16:25); e,
então, no culto público, deverá a Igreja ouvir apenas um homem cantar?
A tudo isso podemos acrescentar a prática das igrejas
primitivas. O testemunho do antigo e santo Basílio é, nesse ponto, de grande
peso (Epist. 43): “Quando um de nós”, diz ele, “começa um salmo, os demais
unem-se para cantar com ele, todos nós com um só coração e uma só voz.” E
acrescenta que essa era a prática comum das Igrejas do Egito, da Líbia, de
Tebas, da Palestina, da Síria e daquelas que habitavam junto ao Eufrates, e, em
geral, de todos os lugares onde o canto dos salmos era tido em estima. Para o
mesmo propósito também Eusébio presta testemunho (Historia Ecclesiastica, livro
2, capítulo 17).
As objeções levantadas contra isso, em sua maior parte,
militam igualmente contra a união no canto em coração, assim como em voz.
Diz-se, por exemplo, que, por esse meio, também pessoas de fora da Igreja
cantarão; igualmente, que nem sempre estamos em um estado espiritual
correspondente à matéria cantada; e ainda que nem todos podem cantar com
entendimento. Acaso, por isso, todos os que possuem entendimento não deverão
unir-se conjuntamente em coração e voz? Não são todas as criaturas, no céu, na
terra e no mar — homens, animais, peixes, aves, etc. — ordenadas a louvar ao
Senhor? E, contudo, nenhuma delas, senão os homens, e, de fato, somente os
homens piedosos, pode fazê-lo com entendimento espiritual.
Quanto ao escrúpulo que alguns levantam acerca da tradução
do Livro dos Salmos para a métrica, porque os Salmos de Davi eram cantados em
suas próprias palavras, sem métrica, respondemos:
Primeiramente, há muitos versículos reunidos em diversos
Salmos de Davi que apresentam rimas, como sabem aqueles que conhecem o
hebraico, e como Buxtorf demonstra em seu Thesaurus (p. 623). Isso demonstra,
ao menos, a licitude de cantar os Salmos em rimas inglesas.
Em segundo lugar, os Salmos foram compostos em versos
adequados à poesia da língua hebraica, e não no estilo comum dos demais livros
do Antigo Testamento que não são poéticos. Ora, nenhum protestante duvida de
que todos os livros da Escritura devem, por ordenança de Deus, existir na
língua materna de cada nação, para que possam ser compreendidos por todos. Daí
segue que os Salmos devem ser traduzidos para a nossa língua inglesa. E, se em
nossa língua inglesa devemos cantá-los, então, visto que todos os nossos
cânticos ingleses (segundo o curso da poesia inglesa) são compostos em métrica,
assim também os Salmos de Davi devem ser traduzidos para a métrica, para que
possamos cantar os cânticos do Senhor não somente em nossa língua inglesa, mas
também em versos familiares ao ouvido inglês, os quais são ordinariamente
métricos. E, assim como não pode haver justa ofensa para qualquer boa
consciência em cantar os cânticos hebraicos de Davi em palavras inglesas, assim
também não pode haver ofensa em cantar os seus versos poéticos em métrica
poética inglesa. Alguém poderia, com igual razão, escandalizar-se por cantar os
Salmos hebraicos segundo as nossas melodias inglesas (e não segundo as melodias
hebraicas), como por cantá-los em métrica inglesa (que constitui os nossos
versos), e não nos mesmos versos geralmente empregados por Davi, conforme a
poesia da língua hebraica.
Mas a verdade é que, assim como o Senhor ocultou de nós as
melodias hebraicas, para que não pensássemos estar obrigados a imitá-las, assim
também ocultou, em grande parte, o curso e a estrutura da sua poesia hebraica,
para que igualmente não julgássemos estar obrigados a imitá-la, mas que cada
nação pudesse, sem escrúpulo, seguir as melodias mais solenes dos cânticos de
sua própria terra e os tipos mais graves de versos de sua própria poesia
nacional.
E ninguém pense que, por causa da métrica, tomamos para nós
alguma liberdade ou licença poética para nos afastarmos do verdadeiro e próprio
sentido das palavras de Davi em seus versos hebraicos. Não. Antes, constituiu
parte de nosso religioso cuidado e fiel empenho conservar-nos estritamente
junto ao texto original.
Quanto às outras objeções levantadas em razão da dificuldade
das melodias de Ainsworth e do nosso Saltério comum, esperamos que tenham sido
respondidas nesta nova edição dos Salmos, que aqui apresentamos a Deus e às
suas Igrejas.
Pois, embora tenhamos motivo para bendizer a Deus, em muitos
aspectos, pelos piedosos esforços dos tradutores dos Salmos em métrica
habitualmente anexados às nossas Bíblias, não é desconhecido entre os piedosos
eruditos que eles apresentaram antes uma paráfrase do que as palavras de Davi
traduzidas segundo a regra de 2Cr 29:30; e que os seus acréscimos às palavras e
as suas omissões das palavras não são raros nem ocasionais, mas muito
frequentes e, muitas vezes, desnecessários (o que supomos não seria aprovado
caso os Salmos fossem assim traduzidos em prosa); e que as suas variações de
sentido, bem como as suas alterações do próprio texto sagrado, demasiado
frequentes, podem justamente fornecer motivo de ofensa àqueles que são capazes
de comparar a tradução com o texto original.
Quanto a essas deficiências, alguns homens judiciosos há
muito se queixaram; outros ficaram entristecidos. Em consequência disso,
tornou-se um desejo geral que, assim como desfrutamos das demais ordenanças,
assim também (se fosse a vontade do Senhor) pudéssemos desfrutar desta
ordenança em sua pureza nativa.
Empreendemos, portanto, o nosso esforço para produzir uma
tradução simples e familiar dos Salmos e das palavras de Davi em métrica
inglesa, sem sequer presumirmos parafrasear ou expressar o sentido de seu
pensamento com outras palavras. Por isso, seguimos aqui, como nosso principal
guia, o texto original, evitando todos os acréscimos, exceto aqueles que até
mesmo os melhores tradutores são obrigados a suprir em prosa, e evitando
igualmente qualquer omissão substancial das palavras ou do sentido.
Quanto à palavra Selah (סֶלָה), nós a conservamos
integralmente. E, embora por vezes seja redundante no hebraico, em algumas
ocasiões (ainda que não muito frequentemente) ela foi omitida em nossa
tradução, mas nunca quando o sentido não permanecesse claro sem ela.
Quanto às nossas traduções, utilizamos as nossas Bíblias
inglesas (cujo texto, confrontado com o original, tivemos continuamente diante
de nós), empregando os idiotismos de nossa própria língua em lugar dos
hebraísmos, sempre que estes pudessem parecer estranhos ou bárbaros. Empregamos
sinônimos indistintamente, como folk em lugar de people, e Lord
em lugar de Jehovah; e, algumas vezes (embora raramente), God em
lugar de Jehovah. Para isso, assim como para algumas outras
interpretações de passagens citadas no Novo Testamento, possuímos a autoridade
das próprias Escrituras, como se vê na comparação do Sl 14 com o Sl 53, e de Hb
1:6 com Sl 97:7. Quando uma expressão era duvidosa, seguimos aquela que,
segundo o nosso próprio entendimento, nos pareceu mais genuína e edificante.
Algumas vezes contraímos, outras vezes ampliamos a mesma
palavra hebraica, tanto para melhor expressar o seu sentido quanto por
exigência do verso. Tal ampliação não consideramos ser uma adição parafrástica
maior do que a contração de uma tradução verdadeira e completa seria uma infiel
subtração ou diminuição. Assim, quando ampliamos he healeth para he
it is who healeth (“é ele quem cura”); ou, quando contraímos those that
stand in awe of God para God’s fearers (“os tementes a Deus”).
Por fim, porque algumas palavras hebraicas possuem uma
significação mais plena e enfática do que qualquer palavra inglesa isolada
pode, por vezes, exprimir, fizemos aquilo que tradutores fiéis podem
legitimamente fazer, a saber: não apenas traduzir a palavra, mas também a sua
ênfase. Assim, traduzimos God por mighty God (“Deus poderoso”); bless
por humbly bless (“bendizer humildemente”); rise por stand
(“levantar-se” ou “estar de pé”); e, no Sl 12, traduzimos truth por truth
and faithfulness (“verdade e fidelidade”). Contudo, por causa da métrica,
nem sempre procedemos dessa maneira; ainda assim, vertemos a palavra de forma
verdadeira, embora nem sempre de modo plenamente exaustivo, como quando algumas
vezes empregamos rejoice (“alegrai-vos”) em lugar de shout for joy
(“exultai com júbilo”).
Quanto a todas as demais alterações de número, tempos
verbais e figuras de linguagem, são de tal natureza que ou o hebraico as
comporta naturalmente, ou o inglês as exige necessariamente, ou, de nenhum
modo, alteram o sentido; e tais alterações costumam ser impressas com um tipo
diferente de caracteres.
Se, portanto, os versos nem sempre são tão suaves e
elegantes quanto alguns poderiam desejar ou esperar, considerem que o altar de
Deus não necessita de nossos polimentos (Êx 20). Pois preferimos uma tradução
simples a tornar os nossos versos mais suaves pela doçura de qualquer
paráfrase. Assim, tivemos mais consideração pela consciência do que pela
elegância, mais pela fidelidade do que pela poesia, ao traduzir as palavras
hebraicas para a língua inglesa e a poesia de Davi para a métrica inglesa, para
que assim possamos cantar em Sião os cânticos de louvor do Senhor conforme a
sua própria vontade, até que ele nos leve deste mundo, enxugue de nossos olhos
toda lágrima e nos ordene entrar na alegria de nosso Senhor, para cantar
eternos Aleluias (Hallelujahs).
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